Quando o assunto é jurisprudência TJ-SP, entender a diferença prática entre danos morais e danos materiais já acelera a pesquisa e dá corpo ao pedido. Em primeiro lugar, separe o que é abalo à esfera pessoal – com atenção ao “mero aborrecimento” – do que é dano emergente e lucros cessantes.
Depois, escolha no e-SAJ a combinação certa de Classe, Assunto, órgão julgador e período, e use a ementa como filtro rápido antes do inteiro teor. Assim, você chega mais depressa a acórdãos que discutem quantum indenizatório, critérios de proporcionalidade e casos típicos como negativação indevida, falha de serviço, vício oculto, acidentes e contratos – sempre com foco no que realmente sustenta a sua tese.

1) Visão geral: o que entra como dano moral e material
Dano moral envolve abalo à honra, imagem, psique ou dignidade – algo que ultrapassa o incômodo cotidiano. Dano material cobre perda econômica concreta: dano emergente (o que saiu do bolso) e lucros cessantes (o que razoavelmente deixou de entrar). Em primeiro lugar, definir esse corte evita confusão no filtro da pesquisa e na redação do pedido.
Depois, convém alinhar o fato à tese: negativação indevida, falha de serviço, vício oculto, acidente, atraso de voo, quebra contratual. Em cada trilha, a ementa costuma indicar se houve nexo, culpa e prova bastante para configurar o dano.
2) Onde pesquisar no TJ-SP: e-SAJ e atalhos úteis
Comece na consulta completa, com Ementa + Classe/Assunto + período de 12–24 meses. Em seguida, recorte por órgão julgador quando houver Câmaras recorrentes no tema. Em consumo, por exemplo, vale testar variações como “negativação indevida” ou “cobrança indevida” e ajustar o período para capturar viradas recentes. Para agilizar, salve o acesso público ao e-SAJ (https://esaj.tjsp.jus.br/). Em temas repetitivos, rodar uma passada só com decisões monocráticas pode revelar sinal novo antes de consolidar nos colegiados.
3) Danos morais: critérios de configuração
O ponto-chave é diferenciar mero aborrecimento de violação relevante. Em linhas gerais, o TJ-SP costuma exigir prova de intensidade, contexto e consequência. Negativação indevida, por exemplo, tende a ensejar dano moral quando há abalo de crédito comprovado e não mera divergência pontual.
Em serviços essenciais (telefonia, energia, saúde), a falha reiterada pesa. Em exposição indevida de dados, imagem ou honra, a narrativa fática e a prova documental são decisivas. Portanto, fixe: fato, nexo, reprovabilidade da conduta e impacto concreto.
4) Quantum indenizatório em dano moral
A dosimetria costuma girar em torno de proporcionalidade e razoabilidade, olhando gravidade, repercussão e capacidade econômica das partes.
Em primeiro lugar, mapeie valores para casos análogos na mesma Câmara – isso ajuda a calibrar o pedido. Por contraste, pedidos sem ancoragem em precedentes tendem a sofrer cortes. Argumentos úteis: reiteração da conduta, vulnerabilidade do consumidor, publicidade do ato, tempo de exposição e eventual retratação.
No pedido, indique faixa razoável com base em 2–3 acórdãos próximos e justifique a diferença quando houver um elemento agravante ou atenuante no seu caso.
5) Dano moral da pessoa jurídica
Pessoa jurídica também pode sofrer dano moral quando há ofensa à imagem, reputação ou bom nome. Em primeiro lugar, olhe o contexto: houve divulgação negativa relevante, restrição injusta de crédito, boatos com reflexo comercial? Depois, avalie a prova mínima do abalo – relatórios de perda de clientes, queda de faturamento associada ao fato, retratações públicas.
A narrativa precisa amarrar conduta, repercussão e nexo. Por fim, calibre o pedido com precedentes da mesma Câmara para não soar desconectado da prática.
Checklist rápido
- Fato e reprovabilidade da conduta
- Repercussão concreta no ambiente de negócios
- Nexo entre divulgação/ato e prejuízo de imagem
- Precedentes próximos para guiar o quantum
6) Danos materiais: dano emergente e lucros cessantes
A distinção é direta e já clareia a peça. Dano emergente cobre o que saiu do bolso – consertos, reposições, despesas médicas, taxas. Lucros cessantes tratam do que razoavelmente deixou de entrar – faturamento esperado, contratos perdidos, produção interrompida. Provas típicas incluem notas fiscais, orçamentos, contratos, extratos e séries históricas.
Em contratos, planilhas comparando cenário com e sem o evento ajudam muito. Quanto mais claro o método de cálculo, mais confiança passa.
7) Lucros cessantes x “perda de uma chance”
Nem todo lucro cessante é perda de uma chance. A segunda aparece quando a oportunidade era séria e real, ainda que incerta no resultado final. Exemplos clássicos: perda de prazo por culpa alheia, impedimento de disputar licitação por ato indevido, cancelamento de voo que elimina compromisso comercial chave.
O raciocínio aqui pede probabilidade concreta – não mera expectativa. Em síntese: demonstre a chance real, mostre o ato que a frustrou e proponha um critério razoável de quantificação.
8) Prova e ônus: como organizar a busca
Antes de abrir dezenas de PDFs, liste o que você precisa demonstrar: conduta, dano e nexo. Na pesquisa, use a ementa para verificar se o acórdão enfrentou exatamente esses pontos. Em consumo, falha do serviço e responsabilidade objetiva costumam ser centrais; em contratos, inadimplemento, cláusula penal e extensão do dano; em acidentes, dinâmica dos fatos e perícia. Se o tema estiver “quente”, inclua decisões monocráticas – elas às vezes antecipam a virada que depois aparece no colegiado.
9) Temas quentes em consumo e serviços
Alguns cenários aparecem o tempo todo e pedem filtros prontos:
- Negativação indevida: abalo de crédito, ausência de notificação, duplicidade de apontes.
- Falha de serviço essencial: telefonia, energia, água, internet – reiteração e duração pesam.
- Planos de saúde: negativa de cobertura, urgência, rol de procedimentos, reembolso.
- Bancário/financeiro: cobrança indevida, “débito em conta” sem autorização, cartão consignado.
- Transporte/aéreo: atraso, cancelamento, extravio; prova do impacto e da assistência prestada.
Em todos, a leitura da ementa costuma revelar se houve dano moral in re ipsa ou se o tribunal exigiu prova concreta de prejuízo.
10) Família, honra e imagem: cautelas de prova
Nos conflitos de família, evite confundir divergências corriqueiras com dano moral. O tribunal olha contexto, intensidade e repercussão – por exemplo, exposição indevida de crianças, quebra de confidencialidade, imputações ofensivas. Em honra e imagem, a narrativa precisa amarrar conteúdo, autoria, alcance e consequência. Capturas de tela, registros de audiência, perícias e retratações fazem diferença. Sempre ancore o pedido em precedentes da mesma Câmara para calibrar expectativa de quantum.
11) Correção monetária, juros e termo inicial
Defina desde a petição:
- Correção: índice aplicável ao caso (consumo, responsabilidade civil, contrato).
- Juros: moratórios a partir do evento danoso (em regra) ou da citação, conforme a tese.
- Termo inicial: alinhe com o que a Câmara costuma adotar no seu tipo de ação.
- Cumulação: quando há danos morais e materiais, detalhe critérios separados.
Na leitura do acórdão, confirme no dispositivo a forma de cálculo e registre na planilha para evitar divergências na liquidação.
12) Passo a passo sugerido para danos morais e materiais
- Tema e sinônimos: defina o fato central e duas variações de busca (ex.: “negativação indevida”, “cobrança indevida”).
- Tipo de decisão: acórdãos primeiro; inclua monocráticas se o assunto estiver “quente”.
- Filtros: Ementa + Classe/Assunto + período de 12–24 meses; ajuste por Câmara quando houver histórico.
- Leitura: valide ementa, resultado e ponto de prova (culpa/nexo/dano).
- Registro: salve PDF com padrão de nome e anote tese, quantum, correção, juros e termo inicial.
13) Matriz de sinônimos para melhorar recall
Trocar uma palavra muda a busca inteira. Use uma matriz curta para testar variações antes de afunilar por Câmara.
Dano moral
- negativação indevida, abalo de crédito, registro indevido
- falha na prestação do serviço, interrupção indevida, cobrança abusiva
- ofensa, injúria, exposição da imagem, violação de privacidade
Dano material
- dano emergente, despesas comprovadas, custos de reparo
- lucros cessantes, faturamento frustrado, perda de uma chance
- vício oculto, defeito do produto/serviço, substituição/abatimento
Clusters frequentes
- consumo: plano de saúde (negativa de cobertura), telecom/energia (falha reiterada)
- contratos: inadimplemento, cláusula penal, rescisão, retenção
- responsabilidade civil: acidente, vício, recall, nexo e culpa

14) “Score rápido” para priorizar o que ler
Em vez de abrir tudo, some pontos e leia primeiro o que tem mais chance de sustentar seu caso.
Pontuação sugerida
- Data do julgamento: +2 (≤12 meses), +1 (13–24 meses)
- Aderência da ementa ao seu fato (moral ou material): +2 se direta, +1 se tangencial
- Câmara aderente ao tema: +2 se recorrente, +1 se moderada
- Prova/quantificação clara no acórdão: +1
- Convergência com precedentes que você já usa: +1
Exemplo prático
- Negativação indevida de 8 meses, Câmara recorrente, ementa direta, prova clara e convergência: 7–8 pontos. Vai ao topo da fila.
15) Checklist para pedido e fundamentação
Dano moral
- fato, nexo e intensidade do abalo
- parâmetros de dosimetria (gravidade, repercussão, reiteração, vulnerabilidade)
- precedentes da mesma Câmara para calibrar o quantum
Dano material
- planilha do cálculo, documentos (notas, orçamentos, contratos)
- método objetivo para dano emergente e para lucros cessantes
- distinção entre lucro cessante e perda de uma chance, quando for o caso
Geral
- correção, juros, termo inicial e cumulação (se houver moral + material)
- 2–3 acórdãos âncora recentes e bem fundamentados
- registro em planilha: data, Câmara, relator, nº CNJ, tese, quantum e observações
Em síntese, separar corretamente dano moral e material, usar 2 ou 3 filtros de qualidade e aplicar um score leve já deixa a pesquisa objetiva. Depois, ancore o pedido em precedentes da mesma Câmara e explique por que seu caso pede aquele quantum. Para atualizar rapidamente valores e teses, vale consultar periodicamente a Revista Eletrônica de Jurisprudência do TJ-SP (https://www.tjsp.jus.br/Biblioteca/RevistaJurisprudencia/Revistas). Isso ajuda a capturar mudanças de orientação cedo e a manter seu repertório sempre pronto para a próxima peça.
Perguntas frequentes sobre danos morais e materiais no TJ-SP
Como diferenciar dano moral de dano material na hora de citar precedentes?
Dano moral trata de abalo a honra, imagem ou dignidade – além do mero aborrecimento. Dano material envolve perda econômica: dano emergente (o que saiu do bolso) e lucros cessantes (o que deixou de entrar). Na pesquisa, use filtros separados para cada trilha e valide se a ementa enfrenta exatamente o seu ponto.
Como comprovar lucros cessantes sem confundir com “perda de uma chance”?
Lucros cessantes exigem prova do ganho razoavelmente esperado e frustrado (séries históricas, contratos, ordens). “Perda de uma chance” pede oportunidade séria e real, ainda que o resultado final fosse incerto. Anexe planilhas claras e aponte o método de cálculo – isso melhora aderência na leitura do acórdão.
Como definir quantum, correção, juros e termo inicial no pedido?
Em dano moral, calibre o quantum por precedentes da mesma Câmara, considerando gravidade e repercussão. Em dano material, detalhe o método (emergente/cessantes). Indique índice de correção, juros e termo inicial conforme a prática do seu tema e confirme esses pontos no dispositivo dos acórdãos citados.
Para encerrar, se você quiser um atalho com modelos, checklists e um passo a passo já alinhado ao que vimos, a página TJ-SP Jurisprudência concentra tudo em um só lugar e recebe atualizações frequentes conforme a prática evolui (https://lp.publiko.me/tj-sp-jurisprudencia/)